domingo, 17 de agosto de 2008

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

[Só um desabafo...]

Quando eu lhe dizia me apaixono todo dia, é sempre a pessoa errada...

Acho que a minha maior “virtude” (rs*) é sempre me apaixonar pela pessoa errada, de uma forma ou de outra, sempre a pessoa errada.

Os que realmente não prestam e mentem para mim. Os problemáticos. Os que nem sabem da minha existência. Caras com namorada e afins.

Não sou, nunca fui, la female fatale, mas gostaria de ser mais do que sempre a a inteligente,bonita e com personalidade, (poxa, uma uma mina que joga rpg, videogame, entende de HQ) mas que apenas serve como uma boa amiga

Mas chega se a um ponto em que a autoestima é dilacerada com as comparações absurdas, como será que se eu fosse a mulata exuberante, ou a loira burra e gostosa eu estaria mais próxima de encontrar a outra metade, será???

Todas perspectivas doem, o saber que o que sou não é adimirado, por estar fora de qualquer padrão, gorda demais, magra demais, alta demais baixa demais, quanto saber que para me tornar "o que se deseja" são necessárias mudanças, em um momento em que se está feliz com o que se é, em um momento que não se está disposta a mudar.

Dói saber que não se é o querido de ninguém, que você não povoa os sonhos de mortal algum, dói saber que eu ainda desperdiço meu tempo tentado me apaixonar, procurando por amor... Mesmo sabendo que no final, mais uma vez vou acabar novamente dilacerada, e em quanto todo mundo ganhar alguma coisa eu irei ganhar mais uma pedra.

sábado, 9 de agosto de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

Se há o fim, que se deixem romper
as barreiras contidas entre os véus,
que se cravam qual navalhas em golpes,
nas feridas esquecidas do adeus.

“Is chorar das flores as pobres
que se partem em teus dedos?
Choras também então aquelas
que sofrem por teus segredos.”

Ah, que eu sempre busquei o erro!
Sem pensar me atiro as desgraças.
Masco pedras sujas para quebrar os dentes
e busco a dor pra calar estas mágoas.

“Se te fiz mal mais mal me fiz
e se permitires farei ainda mais.
O que esperar além disso daquele
que rema ao fundo do vil e voraz?”

Não há o que faça entender,
o que se escreve na escura névoa nos sonhos,
em que meninas cercadas de anjos
sempre abraçam o mal dos demônios

domingo, 27 de julho de 2008

[That's How People Grow Up]



É assim que as pessoas crescem, sofremos choramos por coisas que em um futuro não tão distante não fazem mais sentidos.

Num momento súbito, mágico de epifania nos damos conta de que desperdiçamos tanto tempo procurando um amor, tentado nos apaixonar, quando na verdade o amo não foi feito para todos. O amor foi feita para uma minoria eleita, a qual diga se de passagem eu tenho duvidas de pertencer.

Mais uma vez eu retorno das profundezas do inferno a alma maculada e o coração mais uma vez cicatrizado, diga se de passagem, acredito eu verdadeiramente livre dos meus fantasmas.

Continuo meu caminho agora em paz. Certamente eu mais dia ou menos dia, a voltar desperdiçar meu tempo tentando me apaixonar novamente, ate novamente eu me ferir, mas há coisas piores na vida

O momento agora é de curtir o novo emprego, me acostumar com as mudanças que aconteceram - agora eu ando de salto alto, uso maquiagem, e soltei o cabelo. Esperar pelas mudanças que ainda virão, e torcer para que a vida traga um novo amor

É assim que as pessoas crescem.
That's How People Grow Up – Tradução
Morrissey

Eu estava desperdiçando meu tempo
Tentando me apaixonar
A decepção veio até mim e
Me chutou
Me encheu de hematomas e
Me feriu

Mas é assim que as pessoas crescem
É assim que as pessoas crescem

Eu estava desperdiçando meu tempo
Procurando por amor
Alguém deve olhar para mim
E ver que há alguém dos seus sonhos

Eu estava desperdiçando meu tempo
Esperando por amor
Pelo amor que nunca vem
De alguém que não existe

É assim que as pessoas crescem
É assim que as pessoas crescem

Me deixe viver
Antes que eu morra
Oh, eu não, a mim não

Eu estava desperdiçando minha vida
Pensando o tempo todo sobre mim mesmo
Alguém em seu leito de morte disse:
"Existem outros infortúnios também"

Eu estava dirigindo meu carro
Eu bati e quebrei minha coluna
Então, sim, há coisas piores na vida
Do que nunca ser o querido de alguém

É assim que as pessoas crescem
É assim que as pessoas crescem

Quanto a mim, tudo bem
Por enquanto, de qualquer maneira

terça-feira, 15 de julho de 2008

[Ode ao caos]

Depois de laboriosa reflexão, diz Zeus:
“Acho que tenho um meio de fazer com que os homens possam existir, mas parem com a intemperança, tornados mais fracos. Agora com efeito,continuou, eu os cortarei a cada um em dois, e ao mesmo tempo eles serão mais fracos e também mais úteis para nós, pelo fato de se terem tomado mais numerosos; e andarão eretos, sobre duas pernas.
Se ainda pensarem em arrogância e não quiserem acomodar-se, de novo, disse ele, eu os cortarei em dois, e assim sobre uma só perna eles andarão, saltitando.”

Logo que o disse pôs-se a contar os homens em dois, como os que cortam as sorvas para a conserva, ou como os que cortam ovos com cabelo; a cada um que cortava mandava Apolo voltar-lhe o rosto e a banda do pescoço para o lado do corte, a fim de que, contemplando a própria mutilação, fosse mais moderado o homem, e quanto ao mais ele também mandava curar.

Apolo torcia-lhes o rosto, e repuxando a pele de todos os lados para o que agora se chama o ventre, como as bolsas que se entrouxam, ele fazia uma só abertura e ligava-a firmemente no meio do ventre, que é o que chamam umbigo.

As outras pregas, numerosas, ele se pôs a polir, e a articular os peitos, com um instrumento semelhante ao dos sapateiros quando estão polindo na forma as pregas dos sapatos; umas poucas ele deixou, as que estão à volta do próprio ventre e do umbigo, para lembrança da antiga condição.

Por conseguinte, desde que a nossa natureza se mutilou em duas, ansiava cada um por sua própria metade e a ela se unia, e envolvendo-se com as mãos e enlaçando-se um ao
outro, no ardor de se confundirem, morriam de fome e de inércia em geral, por nada quererem fazer longe um do outro. E sempre que morria uma das metades e a outra ficava, a que ficava procurava outra e com ela se enlaçava, quer se encontrasse com a metade do todo que era mulher - o que agora chamamos mulher — quer com a de um homem; e assim iam-se destruindo. Tomado de compaixão, Zeus consegue outro expediente, e lhes muda o sexo para a frente - pois até então eles o tinham para fora, e geravam e
reproduziam não um no outro, mas na terra, como as cigarras; pondo assim o sexo na frente deles fez com que através dele se processasse a geração um no outro, o macho na fêmea, pelo seguinte, para que no enlace, se fosse um homem a encontrar uma mulher, que ao mesmo tempo gerassem e se fosse constituindo a raça, mas se fosse um homem com um homem, que pelo menos houvesse saciedade em seu convívio e pudessem repousar, voltar ao trabalho e ocupar-se do resto da vida.

E então de há tanto tempo que o amor de um pelo outro está implantado nos homens, restaurador da nossa antiga natureza, em sua tentativa de fazer um só de dois e de curar a natureza humana. Cada um de nós portanto é uma téssera complementar de um homem, porque cortado como os linguados, de um só em dois; e procura então cada um o seu próprio complemento.

terça-feira, 8 de julho de 2008

"Ser rico é quem não cobiça;
Ser livre é quem não odeia.
Ser sábio é quem não se cega;
Ser abençoado é quem nada anseia"
Venerável mestre Hsing Yün

terça-feira, 24 de junho de 2008

[Aos amores passados...]

Todo o tempo perdido em divagações, sobre meus amores perdidos no tempo e espaço. De uma paixão devastadora, ao que eu sinceramente acreditei ser um amor morto, nada além de uma vaga lembrança.

Para depois de tanto tempo esse amor voltar não a bater na porta, mas a arrombá-la com um belo Timio Yop Tchagui , voltar a me consumir e a me fazer sofrer, será porque no entretanto não apareceu ninguém que me tocasse? Ou será porque esse é que é o “Amor” (dito amor da vida)? Ou será porque não consegui me desprender do passado? Talvez seja apenas para confirmar que afinal não estava terminado?

Tremo de pensar que isso voltou a acontecer, porque amei tanto quanto sofri! Ainda tenho presente em mim (quando perco alguns minutos pensando no passado) o que me custou e a desilusão que foi, esperei ansiosamente pelo momento em que aquela dor me passa-se cheguei até a questionar se tal dor alguma vez iria passar. Até consegui me apaixonar depois, infelizmente não passaram de paixões.

Uma coisa é certa para eu voltar a ter este pensamento quer dizer que ainda não está totalmente enterrado, apenas tem uma leve camada de areia por cima, ou talvez seja somente lembrança do passado, mas quero acreditar que ao longo do tempo essa camada de areia vai crescendo e que um dia, mais tarde quem sabe, possamos ser amigos e que eu possa desculpar ou esquecer… Duvido que consiga desculpar e esquecer, mas acredito que uma das duas devo de conseguir…

terça-feira, 3 de junho de 2008

[Tabacaria]

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.

A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.

Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim…
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.

Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.

Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.

Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.

Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.

Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.

Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.

A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)

Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Fernado Pessoa - Álvaro de Campos

quarta-feira, 28 de maio de 2008

[O bom combate]



A brisa trás novamente o cheiro de sangue, suor e lagrimas, novamente é hora do combate. Eu sei que sempre há a possibilidade de se ferir muito, ou ate morrer que seja a morte física ou mais uma morte para o meu coração, mas ainda sim estou disposta a isso mais uma vez.
Chegou a hora buscar i que eu realmente quero, ouvir um pouco mais meus instintos, que dizem que essa é a hora de lutar novamente, já que agora eu estou muito mais sabia, muito mais madura do que antes, não tenho a certeza da vitória, mas sei que vale a pena a luta.
No fim, tudo é mudança, mais uma vez eu sinto a necessidade de mudar, um novo começo uma nova vida, já que não adianta mais eu continuar a me apegar a certas coisas sem futuro como eu tenho feito agora, por que desistir de tudo aquilo que eu sempre quis, com que um dia eu sempre sonhei?
Bem se foram as horas de crescer e amadurecer, agora é a hora de correr atrás dos meus sonhos.

terça-feira, 27 de maio de 2008

domingo, 18 de maio de 2008

[ I don't believe in a thing call love]

Adoraria sinceramente saber qual a causa razão motivo ou circunstancia que sempre me leva me apaixonar me iludir e me machucar, sempre. Como se eu nunca tivesse direito ao meu happy ending.
Tenho uma enorme dificuldade em me entregar verdadeiramente, em confiar plenamente na outra parte, mas isso não quer dizer que eu não ame. E como sempre, mais uma vez de novo, vejo aquilo que um dia foi um coração mais uma vez se vê quebrado em mim pedaço.
Passei minha adolescência inteira brigando com o que eu era, não conseguia me aceitar da forma que era, me frustrava e sofria, não conseguia muda, novamente me frustrava e sofria, não conseguia corresponder as expectativas alheias, e sofria.
Acho que todas as pessoas que pseudo-apaixonaram por mim, quando na verdade o que se desejava era a idéia feita de mim, que nunca correspondia a verdade, eu sempre poderia ser, mais inteligente, mais burra, mais gostosa, mas bonita, mais otimista, nunca ninguém se apaixonou por essa que vos fala. Sempre algo a ser mudado.
Depois de muitos e muitos anos, e eu conseguindo gostar e me aceitar do jeito que estou, quando eu tenho a certeza de que estou bem comigo, ainda sim se apaixonam pela idéia que se faz de mim não pelo que sou.
Dói, mas uma dor dilacerante, saber que não tem ninguém disposto a te amar da forma que se é, da forma que eu sou, sem cobrança pra que eu mude. Dói saber que só posso ser amada se eu for uma acéfala, se eu me dispuser a me desfazer dos meus sonhos, das minha convicções e ambições, pra me encaixar nos sonhos de outro de esposa, mãe dos filhos e submissa.
Já deveria ter me dado conta de que o mundo não foi feito pra mim, já deveria ter me conformado que meu caminho é solitário.
O que fazer agora??? Não sei, juntar novamente os cacos do meu coração novamente feito em mil pedaços, vestir minha super-armadura invulnerável, e torcer pra que um dia alguém se apaixone, por mim pelo que eu sou, não pela idéia de que eu possa me encaixar em sonhos alheios, mas alguém que aceite e queria ser meu companheiro.
Sinceramente eu não queria ter me enganado dessa vez....

sábado, 3 de maio de 2008

[Amor Platônico]


Não sei se estou errando agora, mas tenho certeza de que errei no passado, errei por inúmeras razões, também sei que estou fazendo outra pessoa sangrar, sei que não são desculpas o que eu lhe devo muito menos você a mim, na verdade eu não sei o que dizer, acho que não há nada a ser dito além de eu não queria te machucar.

Era você quem estava ao meu lado o tempo todo, sempre ali pra chorar comigo, oferecer o bom ombro, rir comigo, comemorar minhas vitórias, torcer por mim. Você sabe de todas as minhas tristezas e alegrias Era você quem estava sempre ali e eu não vi.

Agora me vejo aqui, e não sei o que é mais doloroso, por tanto tempo não ter percebido que era eu o alvo dos seus sentimentos, por não ter me dado conta de que era eu a tua flor azul, motivo do teu amanhecer e a tua angustia ao anoitecer, ou a dor de que, por sorte ou revés, hoje quando você me abre o coração e confessa seus sentimentos eu não poder retribuir.

Dói saber que por tanto tempo você esteve ao meu lado e me amou em silêncio, dói saber que você era o dono de um amor sublime, mas culpado por me querer como quem a olha na vitrine, dói saber que você se achava alguém invisível, que me admirava a distancia sem a menor esperança de um dia tornar-se visível, quando na verdade eu te enxergava.

O que resta fazer, acho que mais nada só esperar que o tempo se encarregue de colocar as coisas nos seus devidos lugares, mas de uma única coisa eu tenho certeza, é que teu papel nunca foi irrelevante, como entre o figurante e a atriz principal.

Você nunca foi o menino solitário querendo o que não poderia ter, eu nunca fui o brinquedo caro e você nunca foi a criança pobre, o que aconteceu então? Aconteceu que nossos caminhos não se cruzaram, mas mesmo assim não deixaram de serem caminhos comuns, quem sabe num outro dia, numa outra estação.